Tópicos da Reunião de Consenso sobre tratamento da hepatite C em doentes urémicos

29.06.2016

1-As principais medidas de proteção contra a infecção pelo vírus da hepatite C nos doentes urémicos e especificamente nos doentes dialisados e transplantados são o escrupuloso respeito pelas regras de higiene, assepsia e controlo universal da disseminação de infeções.

2-Em todas as séries publicadas referentes a transmissão do virus da hepatite C nesta população, observou-se sempre uma falha na aplicação destas regras universais de assepsia, que foram responsáveis pela transmissão horizontal da infecção.

3-Apenas se considera um doente positivo para a infecção pelo vírus da hepatite C, quando existe replicação viral ativa documentada por uma prova de PCR positiva para o ARN viral.

4-A pesquisa do anti-corpo Anti HVC serve como "screening" nesta população de doentes. No caso de se observar uma positivação recente para este anti-corpo, deverá ser sempre realizada a pesquisa de ARN viral.

5-A presença de anticorpo anti-HVC NÃO SIGNIFICA, OBRIGATORIAMENTE, infecção viral ativa, podendo constituir apenas exposição anterior a este vírus.

6-Admite-se que haja um "período de janela" potencialmente infeccioso entre a infecção de um doente e o desenvolvimento de um nível de anticorpos anti-HVC. Este período de "janela" poderá ser particularmente relevante em doentes transplantados ou fortemente imunodeprimidos. Nestas circunstâncias admite-se que o rastreio através da pesquisa do RNA viral esteja indicada como 1º passo e não apenas após a pesquisa do Ac anti-HVC (opinião).

7-Apesar de alguns métodos de pesquisa do antigénio do vírus da hepatite C (nomeadamente do "Core") mostrarem uma boa concordância com a pesquisa de replicação viral por pesquisa do ARN-VHC por PCR, esta técnica ainda não está generalizada e necessita de ser validada na população urémica. A sua utilização no "secreening" seriado destes doentes (exemplo: hemodialisados crónicos) poderia ser vantajosa, por se tratar de um método automatizado, com resposta rápida, não dependente do observador e de baixo custo.

8-Caso se confirme uma elevada sensibilidade e especificidade da pesquisa deste antigénio no diagnóstico de infecção ativa pelo VHC, este método poderia ser utilizado nos centros de colheita de órgãos, permitindo que os dadores Ac antiHVC positivos, mas sem antigénio, deixassem de ser desperdiçados.

9-Tendo em conta que a infecção pelo vírus da hepatite C se associa a deterioração mais rápida da função renal, a aumento da mortalidade (global, infecciosa, oncológica, cardiovascular), a um significativo aumento da incidência de hepatomas, ao aumento de incidência de diabetes e, no caso dos transplantados renais, à diminuição da sobreviva dos enxertos e dos recetores, TODOS OS DOENTES URÉMICOS COM POSITIVIDADE PARA O RNA DO VÍRUS DA HEPATITE C DEVEM SER REFERENCIADOS A UMA CONSULTA DE HEPATOLOGIA, de modo a que seja equacionada a terapêutica desta infeção viral.

10-Os doentes com um DFG inferior a 30 mL/min não podem fazer esquemas terapêuticos que incluam o sofosbuvir, atendendo ao risco de toxicidade dos metabólicos deste fármaco.

11-Deverá haver uma estreita colaboração entre os nefrologistas e os hepatologistas responsáveis pelo tratamento destes doentes, de modo a otimizar o esquema de agentes antivirais diretos (AAD) mais adequado a cada doente e a cada genotipo do virus da hepatite C.

12-Este acompanhamento conjunto é particularmente relevante para garantir a adesão à terapêutica, definir perfil de risco de reinfeção, despiste de eventuais efeitos acessórios, confirmação da cura laboratorial e clínica, e desenhar um plano de acompanhamento a longo prazo.

13-De acordo com os "guidelines" Americano, Europeu e Nacional, bem como da posição defendida pelos colegas de gastrenterologia presentes na "Reunião de Consenso" considera-se CURADO um doente que apresenta negativação do ARN do virus da hepatite C, por técnica de PCR, na pesquisa efetuada 12 semanas após terminar a terapêutica com um dos esquemas mistos de agentes antivirais de ação direta (AAD). Sublinha-se que para a maioria dos doentes urémicos é possível, atualmente, obter taxas de cura superiores a 97%, com os novos agentes AAD.

14-Um doente que negativa a infecção pelo virus da hepatite C (de acordo com o definido na alínea anterior) não tem indicação para continuar a realizar sessões de hemodiálise em áreas dedicadas nem com recurso a monitores de diálise dedicados.

Prof. Anibal Ferreira                                                                                                                                                                  
(Presidente SPN)

Dr. José Diogo Barata
(Presidente do Colégio de Nefrologia da Ordem dos Médicos)

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