Doença Renal Crónica: Como Prevenir?

Professor Rui Alves
Serviço de Nefrologia, Hospitais Universidade de Coimbra

 

 

Caro Concidadão,

No dia 13 de Março de 2008 celebra-se o “Dia Mundial do Rim”. A par de inúmeros Países em todos os continentes, também em Portugal julgamos de extraordinária importância pensarmos em conjunto sobre o seu significado, e foi talvez também por isso que você resolveu espreitar o que está neste exacto momento a ler.
Sabemos que ao longo do ano já se habituou a muitas iniciativas do género mas provavelmente, nunca ninguém terá sido suficientemente seu amigo para lhe falar sobre os seus RINS e pedir que leia com muita atenção o que temos para lhe dizer.
A Sociedade Portuguesa de Nefrologia, para além das suas responsabilidades de índole técnica e científica, atribui grande importância à dinamização de uma proximidade junto do cidadão, que tem por objectivo fundamental: INFORMAR E EDUCAR SOBRE A DOENÇA RENAL E DE COMO A PREVENIR.

Desde há muito que a doença cardiovascular, a hipertensão arterial e a diabetes mellitus, são considerados gravíssimos problemas de saúde pública em todo o Mundo. Já no que diz respeito à doença renal crónica, só mais recentemente tem sido devidamente valorizada. Uma das razões é simples: com o aumento da longevidade cresce o número de indivíduos com doença cardiovascular, hipertensão e diabetes, mas é preciso notar que os rins também sofrem com aquelas doenças, e muito!. Por outro lado, sabe-se hoje que os indivíduos aparentemente saudáveis e que afinal sofrem de doença renal, tantas vezes desconhecida, apresentam dez vezes mais probabilidades de morrer prematuramente por doença cardiovascular.
Com o passar dos anos acumulam-se os erros alimentares, o excesso de peso, o stress, o tabagismo, o sedentarismo, e a tudo isto soma-se tantas vezes ignorarmos o acompanhamento que a saúde deve merecer. São grandes exemplos a falta de vigilância da tensão arterial, dos níveis de “açúcar” e do colesterol no sangue, ou um simples exame de rotina de sangue e de urina, para ver como estão a funcionar os rins. O resultado está à vista, um número crescente e preocupante de doentes, que para além de tudo o resto sofrem também de doença renal crónica que pode evoluir até tarde demais, sem causar grandes sintomas.

A respeitável sabedoria popular ensina que o “trabalho” dos rins é filtrar ou limpar o sangue, mas na realidade todos sabemos que é bastante mais do que isso. Tal como numa grande fábrica, as diversas e complicadas actividades do corpo acompanham-se da produção de muitas substâncias tóxicas que têm de ser eliminadas, e o rim tem essa função principal. Mas depois também desempenha um papel não menos importante, regulando a quantidade da água e de outras substâncias no organismo, bem como interfere de forma fundamental no funcionamento de outros órgãos.
Isto quer dizer, que quando os rins deixam de funcionar a vida não é possível. É verdade que os avanços da Ciência permitiram encontrar meios para colmatar parcialmente este problema: a diálise e a transplantação, todavia, não apagam o custo do sofrimento pessoal e familiar, bem como as consequências sociais e económicas, que são cada vez mais um quebra-cabeças para os governos de toda a parte.
Para melhor poder compreender esta realidade, nada melhor que referir alguns números que são bem expressivos do problema. Estima-se que no Mundo, um em cada dez adultos sofre de doença renal, a maior parte não sabe, e parece que esta cifra vai continuar a aumentar. Em Portugal, no final de 2005, encontravam-se dependentes de tratamento de substituição renal cerca de 13500 doentes, dois terços em diálise, e um terço com transplante renal. No mesmo ano entraram em diálise cerca de 2000 doentes, uma grande parte deles sofrendo de hipertensão arterial, diabetes mellitus, cicatrizes de infecção e cálculos (pedras) renais. Não sabemos o porquê, mas estes números fazem do nosso País um dos piores da Europa, e isto dá que pensar.
Dá que pensar, porque isto significa que é preciso agir rapidamente, para prevenir o aparecimento da doença, e evitar que ela progrida nos indivíduos já doentes, e que muitas vezes o desconhecem. Porque isso é possível!

Se está a pensar no que poderá e deverá fazer, isso já é importante porque revela que é responsável e está alertado para o problema. Então tente seguir estes conselhos, que não são novos, mas que continuarão a ser sempre essenciais:

1 - Procure, dentro do possível, seguir um estilo de vida saudável, faça exercício físico moderado e regularmente, não engorde (não exagere nas gorduras, no açúcar, na carne e no sal), não fume, e meça regularmente a sua tensão arterial.

2 – Consulte o seu médico se apresenta a tensão arterial elevada, ou aparece com frequência com as pernas inchadas ou a face.

3 – Mesmo sentindo-se bem consulte o seu médico anualmente, para que com dois simples testes de sangue e urina, fique a saber se existe alguma anomalia. Porque é possível tratar-se!

A propósito, os seus rins estão a funcionar bem? e dos seus familiares mais próximos?
Já tinha pensado nisso?
A nossa preocupação é tentar ajudar. O resto terá de ser você a fazer, pela saúde dos seus Rins e por Si.

Muito Obrigado por nos ter dedicado este momento de atenção.

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