Informação aos Pais

Em muitos países, de todos os continentes, há iniciativas para informação e sensibilização sobre a doença renal. Em Portugal, a Secção de Nefrologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria quer igualmente despertar a opinião pública para esta temática, uma vez que existem no nosso país um grande número de crianças e famílias afectadas e em risco de desenvolvimento de doença renal crónica.

O que são os rins? Qual o seu papel no organismo?
Os rins são orgãos em “forma de feijão”, localizados na região lombar, abaixo da grade costal e do diafragma. A sua principal função é a de filtrar os produtos tóxicos e o excesso de água da corrente sanguínea, e com eles, proceder à formação da urina. Outras funções importantes são a regulação da pressão arterial e a produção de hormonas que regulam o crescimento ósseo e a produção de glóbulos vermelhos do sangue.

Qual é a incidência de insuficiência renal crónica nas crianças?
Em Portugal são diagnosticados anualmente 10 novos casos de insuficiência renal crónica em cada 10000 crianças menores que 18 anos de idade. O sexo masculino é mais afectado porque apresenta maior prevalência de malformações congénitas, doenças poliquísticas e outras doenças renais hereditárias.

Quais são as principais causas de insuficiência renal?
Fala-se em insuficiência renal, quando a função dos rins se encontra muito deteriorada, podendo ser um processo agudo ou crónico.
A insuficiência renal aguda pode ser devida, por exemplo, a desidratação grave, infecções sistémicas, tóxicos ou lesões vasculares. Habitualmente desenvolve-se rapidamente, mas na maioria dos casos desaparece com a resolução da causa subjacente, embora podendo deixar sequelas importantes a longo prazo.
A insuficiência renal crónica na maioria dos casos desenvolve-se lentamente e, embora o tratamento possa contribuir para diminuir a progressão e as complicações, os doentes virão a necessitar de diálise e/ou transplante. As principais causas na criança são: as malformações congénitas (refluxo vesico-ureteral, obstrução ao fluxo urinário, agenesia ou disgenesia renal); as doenças renais hereditárias (doenças poliquísticas, sindrome de Alport) e as doenças glomerulares. Os sinais e sintomas são frustes e desenvolvem-se quando a função renal está muito deteriorada. No entanto, são factores de risco a história de doença renal prévia, a obesidade, a elevação da pressão arterial e as alterações do sedimento urinário. Os doentes renais crónicos têm também risco aumentado de desenvolvimento de doença cardiovascular (10 vezes mais).

O que fazer quando os rins não cumprem a sua função?
Neste caso, a sua função de filtro tem que ser substituída através de diálise ou transplante. A diálise consiste em retirar os produtos tóxicos do sangue do doente: no caso da diálise peritoneal utiliza-se a cavidade abdominal do doente, podendo efectuar-se no domicílio; no caso da hemodiálise, o doente é ligado a uma máquina por onde o sangue passa por um sistema complexo de filtros.
No transplante renal, é colocado um rim saudável de um dador (vivo ou morto) na cavidade pélvica do doente. Após o procedimento é necessária vigilância apertada, dada a utilização de medicamentos que deprimem o sistema imunológico da criança (para evitar a rejeição), mas que têm efeitos laterais importantes, nomeadamente aumentar a probabilidade de infecções.

Conselhos aos pais: O que pode e deve fazer pelos rins dos seus filhos?
1- Ter um estilo de vida saudável e ensiná-lo aos seus filhos: alimentação adequada (evitar o excesso de gorduras, açucar, carne/peixe e sal); não fumar; fazer exercício regularmente.
2- Medir regularmente a pressão arterial (obrigatoriamente pelo menos a partir dos 3 anos de idade).
3- Incluir a análise de urina nas análises de rotina para detectar possíveis anomalias.
4- Anomalias congénitas do sistema urinário detectadas durante a gestação, devem ser reavaliadas após o nascimento (por ecografia renopélvica, após a 1ª semana de vida).
5- Infecções do tracto urinário em crianças, sobretudo se recorrentes e/ou febris, devem ser valorizadas e efectuado estudo de imagem adequado.

Se ficou mais alerta para as doenças renais na criança, cumprimos a nossa tarefa de o informar e despertar a sua atenção.
Agora cabe-lhe a si zelar pelos seus rins e pelos daqueles que lhe são mais próximos.

Prof. Caldas Afonso

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